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XP Conference 2026: nunca foi tão fácil, nem tão crítico
Rafael Cáceres na XP Conference 2026: nunca foi tão fácil construir software, e por isso nunca foi tão importante fazer menos. DDD e Event Storming no foco.
Eu e Sebastian fomos pela primeira vez na XP Conference. A edição 2026 em São Paulo foi a primeira no Brasil e teve um peso simbólico enorme para mim, pois em 2007 o tema do meu TCC foi sobre Extreme Programming em times distribuídos.
Quase 20 anos depois, vi como essas ideias evoluíram, tornando-se vitais.
Alguns pontos ficaram martelando, uns incômodos, mas também a certeza de que nunca foi tão fácil construir software. E exatamente por isso, nunca foi tão importante fazer menos.
A base técnica que o mercado esqueceu
A base técnica foi esquecida e tudo o que usamos hoje de engenharia sólida já estava lá no XP, criado por desenvolvedores. A gente só "esqueceu" disso quando o mercado transformou o Agile em uma ferramenta de microgerenciamento e controle, focando mais em frameworks de gestão do que em engenharia de verdade.
A facilidade é uma armadilha. Paulo Caroli disse em seu keynote que "antes fatiávamos um MVP porque desenvolver era caro e arriscado, mas hoje precisamos fatiar para respeitar o limite cognitivo do usuário". Quanto mais fácil é gerar código com IA, mais a gente produz features inúteis, mais ruído e mais complexidade.
Intenção, especificação e modelagem viraram o gargalo
Na apresentação do Joseph Yoder e Marden Neubert, a gente confirmou que o maior gargalo tem sido alinhar a intenção com especificação e modelagem. Domain-Driven Design (DDD), Event Storming e Story Mapping têm se tornado a linguagem estruturada que alimenta as LLMs com o contexto correto.
Se você não souber explicar o domínio e o problema, a máquina vai te entregar uma solução "média", genérica e desalinhada. A máquina não entende o porquê sem o contexto.
Um ponto incômodo que não podemos ignorar é o custo ambiental para sustentar a infraestrutura dessa IA. Isso é real e ainda pouco discutido.
Tudo converge para o que o XP já pregava
No fim das contas, para sobreviver na complexidade, tudo converge para a mesma essência que o XP já pregava:
- a coragem nesse novo mundo,
- buscar a simplicidade máxima,
- manter ciclos curtos para melhorar o feedback,
- estabelecer melhores contratos, agora entre humanos e máquinas.
Nada disso é novo. Só nunca foi tão crítico.
Perguntas frequentes
Qual foi a principal conclusão de Rafael Cáceres na XP Conference 2026?
Que nunca foi tão fácil construir software e, por isso mesmo, nunca foi tão importante fazer menos. Quanto mais fácil gerar código com IA, mais se produz feature inútil, ruído e complexidade. Para sobreviver na complexidade, tudo converge para o que o XP já pregava: coragem, simplicidade máxima, ciclos curtos e melhores contratos.
Qual o papel de DDD e Event Storming na era das LLMs?
Segundo Cáceres, o maior gargalo passou a ser alinhar intenção com especificação e modelagem. Domain-Driven Design, Event Storming e Story Mapping se tornaram a linguagem estruturada que alimenta as LLMs com o contexto correto. Sem explicar o domínio e o problema, a máquina entrega uma solução genérica e desalinhada.