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Seu time aprende a pedalar ou a se equilibrar?

Rafael Cáceres usa a bicicleta de equilíbrio do filho para mostrar por que estruturas prescritivas viram rodinhas que impedem o time de andar sozinho.

Quando decidimos comprar uma bicicleta de equilíbrio para o nosso filho, nossos pais acharam aquilo muito estranho. "Como assim uma bicicleta sem pedal?".

Ele ganhou e, no mesmo dia, já saiu andando. É muito maneiro porque a criança cria um instinto completamente diferente de quem aprende na rodinha. Autonomia. Se fosse cair, já botava o pé no chão naturalmente. Além de evitar os tombos feios, ele mesmo conseguia pegar embalo sozinho de boa.

Ele até já dava um pau com a bicicletinha, entendendo como controlar, levantando os pés e indo longe. Brincou por muito tempo com ela. Já estava fazendo manobras e descendo ladeira. Todo mundo falava que com a bicicleta de equilíbrio a transição para o pedal ficava natural, mas eu só acreditei vendo mesmo.

Foi então que, mês passado, ele ganhou uma bicicleta com pedal. No primeiro dia, a gente tava mais com medo que ele. Ele subiu e já saiu pedalando com a gente correndo atrás como dois pais babões, com medo do filho cair. Mas ele já estava basicamente andando sozinho em questão de 20 minutos. Como já era noite, decidimos deixar pra continuar no outro dia.

No outro, quando eu vi, ele já estava andando sozinho. Peguei a minha bicicleta e já demos uma volta no bairro.

Eu lembro que aprender a andar de bicicleta na minha época era uma dificuldade enorme, a gente ralava muito o joelho. Quem teve experiência com bicicleta de rodinha sabe que isso não acontece rápido. É um processo bem mais difícil, porque quem sai da rodinha depois tem muita dificuldade de conseguir se equilibrar enquanto dá o embalo.

O que precisa de estrutura e o que precisa de liberdade

A grande questão é que a gente esquece o que precisa de estrutura e o que precisa de liberdade.

A bicicleta de rodinha tem a premissa de que o difícil é pedalar. A bicicleta de equilíbrio tem a premissa de que o difícil é se equilibrar. E na bicicleta de equilíbrio a criança tem a segurança de que, se algo der errado, é só colocar o pé no chão.

Quantas vezes estamos fazendo isso nos processos da nossa empresa?

Muitas vezes, copiamos modelos e estruturas de outras empresas apenas porque estão dando certo lá, rezando para que a simples execução dos mesmos rituais nos traga o mesmo sucesso. Colocamos rodinhas no nosso processo que só fazem o time não ter autonomia para ter equilíbrio e voar sozinho.

Estruturas muito prescritivas são rodinhas para a organização. Elas ensinam as pessoas a "pedalarem", quando o que a gente precisa mesmo é aprender a ter responsabilidade e disciplina para se equilibrar e entregar.

Segurança psicológica destrava a autonomia

Para que a transição seja natural e a equipe atue com excelência, as pessoas precisam de um ambiente psicologicamente seguro, onde saibam que se falharem, não serão punidas: é só botar o pé no chão, aprender com o erro e resolver o problema.

Só dando o contexto e essa segurança é que conseguimos dar os superpoderes necessários para que a nossa equipe se torne incrível.

Será que a sua empresa está treinando e ensinando algo que está impedindo o seu time de andar sozinho?

Perguntas frequentes

O que a bicicleta de equilíbrio ensina sobre gestão de times?

Que estrutura e liberdade servem a coisas diferentes. A rodinha assume que o difícil é pedalar e tira o equilíbrio da criança; a bicicleta de equilíbrio assume que o difícil é se equilibrar e dá autonomia desde o começo. Nas empresas, estruturas muito prescritivas funcionam como rodinhas: ensinam a pedalar, mas impedem o time de se equilibrar sozinho.

Como criar autonomia real em uma equipe?

Dando contexto e segurança psicológica. As pessoas precisam saber que, se falharem, não serão punidas: é só botar o pé no chão, aprender com o erro e resolver o problema. Só com esse contexto e essa segurança é possível dar os superpoderes para a equipe atuar com excelência e andar sozinha.

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