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Guerra do protocolo: cinco gigantes contra o MCP da Anthropic

Google, Microsoft, Salesforce, Snowflake e ServiceNow apoiam um padrão rival ao MCP da Anthropic. A briga é pela tomada que conecta agentes ao seu dado.

A notícia soa técnica e chata: cinco empresas concordaram em apoiar um padrão comum para conectar agentes de IA ao software corporativo. Google, Microsoft, Salesforce, Snowflake e ServiceNow, juntas, atrás de um protocolo. Parece pauta de comitê. Mas troque "padrão de conexão" por "tomada que decide como a IA acessa o seu dado" e a coisa fica interessante. Essa é uma briga pela camada mais valiosa e mais invisível da IA corporativa, e o alvo tem nome: o MCP da Anthropic.

O que aconteceu, na prática

O MCP, sigla para Model Context Protocol, é um padrão aberto que a Anthropic lançou para padronizar como um modelo de IA conversa com ferramentas e dados externos. Nos últimos 18 meses, ele virou o padrão de fato. Quando um time queria plugar um agente no banco de dados, no CRM ou numa planilha, o MCP virou o caminho óbvio. E aí mora o incômodo: os maiores fornecedores de software do mundo passaram a construir agentes em cima da base de um concorrente.

O movimento dos cinco é a resposta. Um protocolo co-apoiado por Google, Microsoft, Salesforce, Snowflake e ServiceNow dá às empresas uma alternativa credível para não amarrar toda a arquitetura de agentes ao padrão de um rival. A ServiceNow, por exemplo, anunciou abrir seu sistema inteiro de ações para qualquer agente de IA do ambiente corporativo. O Google empurra o A2A, protocolo de comunicação entre agentes, como parte da mesma aposta de pilha completa contra OpenAI e Anthropic.

Cooperar na fundação, brigar no mercado

Aqui vem o detalhe que a manchete costuma pular. As mesmas cinco empresas que se juntaram contra o MCP também participam, todas elas, da Agentic AI Foundation, hospedada na Linux Foundation, cujo objetivo declarado é construir padrões abertos e compartilhados para agentes. Ou seja: cooperam na fundação e brigam de faca no mercado, ao mesmo tempo.

Isso não é hipocrisia, é como padrões sempre nasceram. Ninguém quer ficar de fora do comitê que define a regra, e ninguém quer que a regra favoreça o concorrente. O resultado é essa dança: todo mundo assina o manifesto de abertura em público e disputa o controle nos bastidores. Para quem lê de fora, o sinal importante é que a camada de protocolo virou território de guerra. Quando os maiores do setor gastam energia política nisso, é porque o prêmio é grande.

Por que a tomada vale mais que o modelo

Protocolos parecem abstração até você lembrar dos dois últimos que importaram. TCP/IP e HTTP não eram produtos glamorosos, eram encanamento. E decidiram quem ficou dono da internet por décadas. Quem controla o padrão de conexão dos agentes ganha status default em toda implantação de IA corporativa dos próximos dez anos. O modelo que responde a pergunta é substituível; a tomada em que ele se conecta, não tanto.

É por isso que a briga não é sobre qual IA é mais inteligente. É sobre qual encanamento vira obrigatório. Um agente sem acesso a dados e ferramentas é um chat bonito e inútil. O valor está na conexão, e quem define como essa conexão funciona cobra o pedágio, mesmo que o pedágio venha disfarçado de "padrão aberto". Já falamos aqui sobre quem fica dono da costura entre agentes, e essa disputa de protocolo é exatamente a formalização daquela pergunta.

O que o time que opera IA deveria fazer

Na prática, para quem coloca IA em produção no Brasil, três leituras.

A primeira: não aposte a casa num único protocolo agora. A guerra está aberta, e escolher cedo demais o padrão de um lado é o tipo de decisão que envelhece mal. Trate a camada de conexão como algo que você quer manter substituível, isolado atrás de uma interface sua, e não espalhado por todo o código. Isso é a diferença entre trocar uma peça e refazer a casa.

A segunda: o MCP não morreu porque cinco gigantes se juntaram contra ele. Padrão de fato tem inércia enorme, e a comunidade de desenvolvedores já adotou o MCP em larga escala. O mais provável no curto prazo é convivência tensa, com adaptadores traduzindo entre protocolos, não um vencedor único. Planeje para o mundo com dois ou três padrões coexistindo, não para o mundo limpo de um só.

A terceira, e a mais importante: essa disputa é um lembrete de que integração é onde o valor de IA se realiza ou se perde. Muitos projetos de IA emperram não no modelo, mas na hora de conectar o agente ao dado real da empresa, com permissão, auditoria e confiabilidade. É a mesma dor de quem tenta tirar a IA do piloto e levar para produção de verdade. O protocolo é só a forma técnica dessa dor. Enquanto os gigantes brigam pela tomada, o seu trabalho é garantir que o seu agente consiga se plugar no seu sistema sem virar um risco de segurança ou uma dívida técnica que ninguém entende.

A guerra do protocolo vai levar anos e provavelmente não terá um vencedor limpo. Mas ela deixa claro onde está o poder na IA corporativa: não no modelo que fala bonito, e sim no encanamento que decide o que ele consegue tocar. Quem entende isso planeja a arquitetura para sobreviver à briga, em vez de torcer para o lado certo ganhar.

Se você está montando a arquitetura de agentes da sua empresa e quer isolar essa camada de conexão para não ficar refém de um protocolo, chame a gente no WhatsApp que a gente ajuda a pensar.

Fontes

Perguntas frequentes

O que é o MCP, o Model Context Protocol?

É um protocolo aberto criado pela Anthropic para padronizar como um modelo de IA se conecta a ferramentas, dados e sistemas externos. Nos últimos 18 meses ele virou o padrão de fato para plugar agentes em fontes de dados, o que deu à Anthropic uma posição estratégica que os concorrentes agora querem contestar.

Por que um padrão de conexão de agentes importa tanto?

Porque quem controla o padrão vira o default em toda implantação. Protocolos parecem detalhe técnico até você lembrar que TCP/IP e HTTP decidiram quem ficou dono da internet. O padrão que conectar agentes a dados corporativos tende a definir a plataforma dominante da IA na próxima década.

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